Dormir. Relaxar. O rio a correr, a música a tocar. Cam, você tem que fazer igual a Matilde: 17 pontos, 17 vezes, 17 fragmentos, colocar o rio na beira do Rio. Lily é raivosa e chora porque está cansada de cuidar. Cuida, cuida sem parar. Enquanto Rose costura suas meias furadas entre os dedos médios e o dedão, para dançar no quarto com ele. Só com ele. Você dança só comigo esta noite? Não deixe ninguém me pegar naquele táxi e tirar para dançar primeiro. Dança só comigo. O rapaz de nariz amassado gosta de apertar, esmagar as mãos. Por que é com tanta força? Chame para dançar, por favor! Pés: dois pra lá, dois pra cá. Esqueci como dança com você. Coisas atrapalham, a caixa de óculos e o livro que a Virginia emprestou para ir na praia e ver o farol. José sacode os pés e grita: “trem bão!”. Você dança comigo só mais uma vez? As cortinas fecharam, será nossa vez. Toque leve nas mãos. Pairar como um cisne negro, voltar delicadamente sobre a superfície da água. Ele me assustou um dia. Vi ele dormindo em pé com uma perna só. Será Deus? Ele quieto. Não tive voz. Cheguei a pedir água e ninguém me entendia. Seu passo manso e leve a deslizar me assusta. Quanta delicadeza! Gozo ao te ver suspenso pela praia. Fumar... olha lá, a lua está cheia – nuvens encobertas: lobisomem. Você é peludo. Foram 29 vezes, 29 passos, 29 músicas. Me gira pela cintura. Dança comigo só esta noite.
Aléxia Fernanda

Enigmático, sensível, sensual.
ResponderExcluirAdriana, também achei enigmático. Algo de mistério tem neste conto.
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